domingo, 27 de novembro de 2011





Ainda que dentro de mim as águas apodreçam e se encham de lama e ventos ocasionais depositem peixes mortos pelas margens e todos os avisos se façam presentes nas asas das borboletas e nas folhas dos plátanos que devem estar perdendo folhas lá bem ao sul e ainda que você me sacuda e diga que me ama e que precisa de mim: ainda assim não sentirei o cheiro podre das águas e meus pés não se sujarão na lama e meus olhos não verão as carcaças entreabertas em vermes nas margens, ainda assim eu matarei as borboletas e cuspirei nas folhas amareladas dos plátanos e afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome e que você me devoraria como eu devoraria você... Ah se ousássemos.


Caio Fernando Abreu.


(...) Ah se ousássemos.

3 comentários:

Alê disse...

Se...

Se ousássemos,



bjkasssssss

Emanuelle Klyss disse...

E por que não? No meu caso eu ousaria, pra não perder a oportunidade. haha'

Beijoos flôor. ;**

disse...

se ousassemos... se eu colocasse esse texto no face, ele saberia que é pra ele...rs...

caio, sempre caio.