quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ouça, querida – disse-lhe Otávia certa vez – não fique assim com essa mentalidade de donzela folhetinesca, não separe com tanta precisão os heróis dos vilões, cada qual de um lado, tudo muito bonitinho como nas experiências de química. Não há gente completamente boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a separação é impossível. O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora. Mas passa ... E que interessa o castigo ou o prêmio? ... Tudo muda tanto que a pessoa que pecou na véspera já não é a mesma a ser punida no dia seguinte.


(Lygia Fagundes Telles)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Não fique ansioso com aquilo que você ainda não têm. Tudo tem o seu tempo. Jogue as sementes no chão.. Cuide.. E um dia elas irão germinar." 




"Amar talvez seja isso, descobrir o que o outro fala mesmo quando ele não diz."


(Pe. Fábio de Melo)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenhopra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.


Caio Fernando Abreu
Na tua humilde residência.. ♫

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012



— Ah, bem. Mas essa moça era meio doida, não era?
— Doida por quê, guri?
— Ih, esse negócio de beijar retrato e só doido que faz.
      Ela explicava, sorrindo — um sorriso diferente dos que costumava sorrir: 

— Não, gurizinho. Quando a gente gosta mesmo duma pessoa, a gente faz essas coisas
Calou um momento, depois acrescentou: 
Faz até pior.
(Caio Fernando Abreu)

É, faz até pior..